sábado, 27 de agosto de 2011

Ela abriu os olhos como se tivesse acabado de se deitar. Era como se não tivesse dormido, mas horas haviam se passado desde sua última lágrima no travesseiro. A música que a despertava todas as manhãs era a mesma que a tinha feito sorrir por muitas vezes. Por um momento, tudo parecia ter voltado ao seu lugar original e demorou um pouco até ela se lembrar do motivo que a tinha perturbado tanto durante aquela noite. Quando se lembrou, não esqueceu mais. Foi com os pensamentos iguais aos de todos os dias que ela se levantou, sem querer, e foi viver sua rotina cansativa. Ela odiava rotina. Mas de algum jeito e por algum motivo, talvez consequência de suas preces, ela estava bem. Tão bem que desconfiava da duração daquele seu estado. Durou até bater de novo aquela sensação nostálgica. Aquela vontade de compartilhar suas alegrias, emoções, tristezas e revoltas de cada dia com quem já era de costume saber tudo mesmo. Pegou o celular, e pelo contrário de como agia sempre, pensou duas vezes antes de fazer algo, e não fez. Queria mas não fez. Ela tinha necessidade de se sentir amparada, de sentir que havia alguém com ela, sentir que não estava só. Mas ela se decidiu por não viver na expectativa de uma coisa incerta e apenas ir vivendo como se aquela sensação que sentiu mais cedo, de tudo estar em seu devido lugar, fosse durar para sempre. (22 de abril)

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